Dados biográficos
- Nome civil: Thomas Kneitel
- Nome da Arte: Phoenix
- Nascimento: 1933, Brooklyn, Nova York (ARRL, 2008)
- Iniciação gardneriana: 1º de maio de 1972, pelo coven de Raymond e Rosemary Buckland
- Falecimento: 22 de agosto de 2008, DeLand, Flórida (ARRL)
Fotografia histórica em seleção editorial.
Vida profissional e o encontro com a Arte
Thomas Kneitel nasceu em 1933, no Brooklyn, em Nova York. Conhecido profissionalmente como Tom Kneitel, tornou-se escritor e editor dedicado ao rádio amador, às transmissões em ondas curtas e à comunicação por rádio de faixa do cidadão. Trabalhou em publicações como S9 e Popular Communications, escrevendo também livros sobre equipamentos e técnicas de comunicação. A American Radio Relay League o identifica pelos indicativos K2AES e W4XAA e registra sua entrada, em 2004, no CQ Amateur Radio Hall of Fame. Essa carreira, pouco mencionada nas histórias da Wicca, constitui parte importante de sua trajetória pública.
Tom era casado com Judith Kneitel, Judy, que entrou em contato com Raymond Buckland em outubro de 1971 ao procurar o museu para propor cursos de astrologia. A aproximação de Judith com o coven conduziu à participação religiosa do casal. Judy foi iniciada em 10 de abril de 1972, adotando o nome Theos; Tom recebeu iniciação em 1º de maio e passou a usar o nome da Arte Phoenix.
Alto sacerdote de Commack
No decorrer de 1972, Rosemary e Raymond Buckland passaram a preparar sua saída da direção cotidiana do coven de Brentwood. Judy e Tom receberam graus e treinamento para assumir a liderança, num processo que Mankey examina com base em memórias e anotações contemporâneas. Em 17 de novembro de 1972, os Kneitel assumiram formalmente o grupo e o transferiram para Commack, em Long Island.
Phoenix atuou como alto sacerdote ao lado de Theos, recebendo interessados, formando iniciados e participando da transmissão dos ritos da Wicca Gardneriana. A expansão das comunidades que descenderam de seu coven deu origem à chamada Long Island Line. Como em outros covens da tradição, o exercício da função sacerdotal combinava condução ritual, aprendizado de materiais transmitidos pessoalmente e responsabilidades relativas às pessoas que buscavam aproximação.
Os textos internos e a organização do coven
Theos e Phoenix prepararam o documento conhecido como Notes and Guidelines, relacionado à condução prática de covens e posteriormente transmitido em algumas cópias do Livro das Sombras. Mankey explica que essas orientações foram interpretadas de maneiras variadas: certos autores as descreveram como tentativa de impor regras rígidas, enquanto outros as tratam como material suplementar de organização. O conteúdo ritual reservado não precisa ser reproduzido para compreender seu significado histórico.
A presença de materiais escritos com origem identificável demonstra como a tradição continuou a produzir orientações após Gardner, mesmo preservando uma base transmitida por iniciação. As discussões sobre a autoridade de novas altas sacerdotisas e novos altos sacerdotes refletem uma preocupação prática: como manter continuidade e confiança numa rede crescente de grupos independentes.
Divergências com Raymond Buckland
A relação de Phoenix e Theos com Raymond Buckland deteriorou-se nos anos seguintes. Houve divergências sobre reconhecimento de graus e sobre modificações ou acréscimos aos textos rituais. Uma disputa envolveu a validade de iniciações vinculadas a Theo e Thain, no Kentucky, e repercutiu no meio pagão de Nova York. Mankey confronta relatos retrospectivos com anotações de Buckland e considera que existem registros suficientes para confirmar a elevação daquele casal ao terceiro grau em 1965.
Tom participou diretamente das controvérsias públicas. Em 1975, uma troca de cartas em Green Egg discutiu o uso de títulos acadêmicos por Buckland. Kneitel questionou suas credenciais, e Buckland respondeu polemicamente. Mankey considera que não há documentação de um doutorado acadêmico obtido por Buckland numa universidade reconhecida, mas também observa o caráter pessoal assumido pela polêmica.
Em outros debates do período discutiram-se critérios de admissão de candidatos, inclusive pessoas gays e lésbicas. Numa declaração posterior citada por Mankey, Tom afirmou que o coven dos Kneitel acolhera e iniciara participantes homossexuais. Essa declaração deve ser situada ao lado de outros testemunhos contemporâneos e não resolve, por si só, todas as acusações feitas durante as disputas. O conjunto dessas divergências ajuda a compreender as tensões de autoridade na expansão da tradição gardneriana.
Últimos anos e memória
Tom manteve atividade profissional relevante como autor e editor de radiocomunicação, tornando-se editor emérito de Popular Communications. Em 2004, mudou-se com Judy para DeLand, na Flórida. Morreu em 22 de agosto de 2008, aos 75 anos, segundo o obituário publicado pela American Radio Relay League, que registra sua contribuição à história das publicações sobre rádio.
Na história religiosa, Phoenix permaneceu ligado à trajetória do coven de Commack e à linhagem formada a partir dele. Não publicou livros de bruxaria comparáveis aos de Buckland; sua contribuição foi sobretudo iniciática e organizativa. Mesmo diante das controvérsias, Mankey reconhece que Thomas e Judith foram participantes decisivos da expansão da Wicca Gardneriana nos Estados Unidos e que os covens descendentes continuam a preservar sua memória.
Referências e fontes documentais
- MANKEY, Jason. High Priest: Raymond Buckland, the Father of American Witchcraft. Llewellyn, 2025, sobretudo capítulo sobre os Kneitel e as controvérsias da década de 1970.
- HUTTON, Ronald. The Triumph of the Moon. Edição revista. Oxford University Press, 2019, como contexto histórico da expansão gardneriana.
- HESELTON, Philip. Witchfather. Vol. 2. Thoth Publications, 2012, como referência à transmissão anterior a 1964.
- CLIFTON, Chas S. Her Hidden Children. AltaMira Press, 2006.
- American Radio Relay League — Prolific Author Tom Kneitel, W4XAA SK (2008).
- World Radio History — Popular Communications.
