Dados biográficos

  • Nome civil: Raymond Buckland
  • Nome da Arte: Robat
  • Nascimento: 31 de agosto de 1934
  • Iniciação gardneriana: 23 de novembro de 1963, por Monique Wilson
  • Falecimento: 27 de setembro de 2017

Fotografia histórica em seleção editorial.

Formação e chegada aos Estados Unidos

Raymond Buckland nasceu em Londres, em 31 de agosto de 1934, numa família de ascendência romani. Interessou-se desde cedo por teatro, desenho, música e espiritismo, atuando como músico de jazz e participando de grupos de encenação. Conheceu Rosemary Moss em 1954, quando ambos trabalhavam na empresa Rendel, Palmer & Tritton. Casaram-se em 19 de novembro de 1955. No ano seguinte, organizaram sessões espíritas com amigos, experiências que aprofundaram o interesse de Raymond por religiões e assuntos esotéricos. Prestou serviço na Royal Air Force entre 1957 e 1959. Em 1962, mudou-se com Rosemary e os dois filhos para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Long Island, Nova York, onde passou a trabalhar na British Overseas Airways Corporation (BOAC).

A leitura de Witchcraft Today, de Gerald Gardner, e de obras de Margaret Murray despertou seu interesse pela religião das bruxas. Escreveu a Gardner em 1962. Jason Mankey, em High Priest (2025), reproduz e analisa a correspondência preservada por Buckland: as respostas de Gardner eram inicialmente formais e afirmavam não conhecer covens estabelecidos nos Estados Unidos. A partir de fevereiro de 1963, Raymond passou a se corresponder com Monique Wilson, conhecida como Olwen, que dirigia um coven em Perth, na Escócia, com Campbell Wilson (Loïc). Monique avaliava candidatos e procurava estabelecer contatos capazes de organizar um coven norte-americano.

A documentação de 1963 mostra que o projeto não dependia apenas de Raymond. Rosemary começou pouco interessada na religião, mas mudou de posição após as leituras sugeridas. Correspondia-se pessoalmente com Monique sobre cerimônias, educação religiosa dos filhos e a formação de uma comunidade. Em julho, Monique já tratava Rosemary como futura responsável pela organização da Wicca na costa leste dos Estados Unidos.

Iniciação e formação da linhagem Long Island

Por dificuldades financeiras, somente Raymond viajou à Escócia em 1963. Numa carta de 28 de outubro, Monique concordou em recebê-lo sozinho e orientou que, após sua formação, ele poderia iniciar Rosemary nos Estados Unidos. Segundo as memórias inéditas examinadas por Mankey, Olwen iniciou Raymond em 23 de novembro de 1963; sua elevação ao segundo grau ocorreu no dia 25 e ao terceiro no dia 27. Raymond foi instruído por Monique e Campbell, estudou o Livro das Sombras e regressou à América em 1º de dezembro, com o nome da Arte Robat.

A tradição histórica segundo a qual Gardner teria participado da iniciação de Raymond precisa ser tratada com cautela. Heselton registra o encontro entre ambos no período da viagem de 1963; Mankey, confrontando memórias, cartas e a cronologia da última viagem de Gardner, observa que não há confirmação documental de sua presença no rito. A iniciação sob os Wilson e a autorização de Gardner para o projeto americano estão suficientemente documentadas. A participação pessoal de Gardner naquela cerimônia permanece incerta.

Raymond e Rosemary haviam promovido um encontro de interessados em Nova York em 20 de outubro de 1963, antes mesmo da viagem à Escócia. Já de volta aos Estados Unidos, Raymond iniciou Rosemary no dia 7 de dezembro. Ela recebeu o nome da Arte Rowen, anteriormente sugerido por Monique Wilson, e foi elevada ao segundo grau em 9 de dezembro e ao terceiro ainda naquele mês. O casal passou a dirigir o New York Coven, posteriormente sediado em Brentwood, em Long Island. As primeiras iniciações de outros integrantes ocorreram no início de 1964.

Em julho de 1964, durante visita à Ilha de Man, Monique confirmou cerimonialmente a iniciação e as elevações de Rosemary, a quem Raymond se refere como rainha das bruxas em suas memórias. A visita não representa, portanto, sua primeira entrada na tradição: ela já exercia funções de alta sacerdotisa e havia participado de iniciações nos meses anteriores. Segundo a documentação reunida por Mankey, Raymond e Rosemary iniciaram aproximadamente 35 pessoas no período de atuação gardneriana entre 1964 e 1972. A expansão norte-americana dependeu do trabalho sacerdotal e organizativo de ambos.

Em 1964, o casal mudou-se para Brentwood, onde preparou um espaço ritual no porão de casa. Os covens que surgiram a partir de seus iniciados contribuíram para difundir a Wicca Gardneriana nos Estados Unidos. Judith Kneitel, futura Theos, foi iniciada em 10 de abril de 1972, e seu marido Thomas, Phoenix, em 1º de maio. Em meio à separação conjugal dos Buckland, Rosemary participou da formação de seus sucessores. No dia 17 de novembro de 1972, a liderança do coven foi transmitida a Theos e Phoenix, que transferiram as atividades para Commack. A linhagem associada a essa continuidade tornou-se conhecida como Long Island Line.

As relações de Raymond com os Kneitel deterioraram-se mais tarde, sobretudo em torno de textos e normas acrescentados ao Livro das Sombras, disputas de reconhecimento iniciático e divergências pessoais. Mankey examina as versões em confronto, incluindo as memórias de Buckland e publicações pagãs dos anos 1970. Esses conflitos não interromperam a transmissão da linhagem.

Museu, livros e novas iniciativas

Raymond começou em 1966 a expor sua coleção de objetos associados à bruxaria e à magia no porão de sua residência. Em 10 de junho de 1971, abriu em Bay Shore, Long Island, um museu independente, que recebia visitantes, palestras, entrevistas e oficinas. Participou do programa televisivo The Dick Cavett Show em 18 de agosto de 1971, tornando-se um dos divulgadores mais reconhecidos da bruxaria nos Estados Unidos. O legado desse empreendimento prosseguiu no Buckland Museum of Witchcraft and Magick.

A produção editorial tornou-se uma dimensão decisiva de sua atuação. Entre seus títulos estão Witchcraft from the Inside (1971), The Tree (1974), Buckland’s Complete Book of Witchcraft (1986) e diversos livros sobre rituais, magia e espiritualismo. Na década de 1970, após se afastar do trabalho regular na linhagem gardneriana, criou a Seax-Wica, proposta que admitia práticas solitárias e organização ritual menos dependente da transmissão iniciática tradicional.

Últimos anos e legado historiográfico

Raymond faleceu em 27 de setembro de 2017, em Ohio. Sua importância para a Wicca Gardneriana está sobretudo no papel exercido na introdução, transmissão e organização da tradição nos Estados Unidos e na construção da linhagem Long Island, da qual descendem numerosas comunidades.

A biografia High Priest: Raymond Buckland, the Father of American Witchcraft, publicada em 2025 por Jason Mankey, amplia significativamente a documentação disponível. Baseia-se em cartas de Gardner e dos Wilson, anotações dos primeiros covens e memórias inéditas de Buckland. Ajuda a precisar os episódios iniciáticos de 1963–1964, o papel de Rosemary, a sucessão de 1972 e os limites das narrativas retrospectivas. Raymond faleceu em 27 de setembro de 2017, em Ohio; permanece central na história da Wicca americana pela transmissão iniciática, pelo museu e por uma vasta produção editorial.

Referências e fontes documentais