Dados biográficos
- Nome civil: Edith Woodford-Grimes
- Nome da Arte: Sem registros públicos
- Nascimento: 18 de dezembro de 1887
- Iniciação gardneriana: Anterior a 1939; não documentada
- Falecimento: 1975

Trajetória e contribuição para a Arte
Edith Rose Woodford-Grimes, conhecida como Dafo, participou dos círculos esotéricos frequentados por Gerald Gardner na região de New Forest. Atuava como professora de elocução e estava ligada ao teatro rosacruz da Crotona Fellowship. Ronald Hutton a identifica como a colaboradora mais seguramente documentada de Gardner antes da divulgação pública de sua bruxaria. Trabalhou com ele nas atividades que deram origem ao coven de Bricket Wood e, segundo o relato histórico desse grupo, foi sua primeira alta sacerdotisa. Afastou-se gradualmente no início da década de 1950, sobretudo diante da exposição pública crescente. Sua participação na iniciação de Gardner é frequentemente apontada pela tradição, mas as circunstâncias exatas permanecem debatidas.

A trajetória de Edith anterior à bruxaria foi reconstituída por Philip Heselton em Witchfather, sua biografia de Gerald Gardner em dois volumes, e aprofundada no capítulo “A Witch called Dafo”, de In Search of the New Forest Coven. Nascida Edith Rose Wray, em Malton, Yorkshire, no dia 18 de dezembro de 1887, ela trabalhava em 1911 como criada de companhia (lady’s maid) em Baildon. Casou-se com Samuel William Woodford Grimes em 1920 e, a partir de 1924, passou a lecionar inglês, literatura e arte dramática em Southampton. Entre 1930 e 1934, frequentou cursos da London Academy of Music, obtendo um diploma de elocução. Embora a instituição também se dedicasse à música, Edith ensinava expressão oral, e não música, como registraram equivocadamente alguns relatos. Aproximou-se da família Mason, ligada a ambientes teosóficos, rosacruzes e co-maçônicos. Em 1935, acompanhou membros da família na saída da federação britânica da co-maçonaria; nos anos seguintes, participou ativamente das atividades teatrais da Crotona Fellowship, onde conheceu Gardner.
O próprio nome Dafo requer cautela. Conforme Heselton, familiares a chamavam desde a infância de Daff, e Gardner passou a empregar a forma Dafo, provavelmente como apelido afetuoso, não necessariamente como nome da Arte. Por isso, mantemos “Sem registros públicos” no campo relativo ao nome iniciático. A participação de Edith na iniciação de Gardner em 1939 é considerada plausível pelo historiador, mas a reconstrução dos participantes e dos ritos contém hipóteses que não equivalem a documentação direta.

A importância de Edith para Gardner aparece também em sua correspondência com Cecil Williamson. Em cartas de junho e agosto de 1951, ele menciona “the Witch” (“a Bruxa”), a filha dessa mulher e “the Coven” (“o coven”). Heselton considera que a designação singular “the Witch” se referia a Edith, indicando a posição de destaque que ela ocupava junto a Gardner. Essa identificação resulta da interpretação do conjunto documental: as passagens citadas não fornecem, isoladamente, seu nome.
Edith continuou sendo uma pessoa de referência para Gardner. Em sua residência, Doreen Valiente o conheceu no final de 1952. Na ocasião, Edith já se preocupava com os possíveis prejuízos profissionais de uma exposição pública de sua participação religiosa. Depois da ruptura do coven em 1957, Gardner levou Jack Bracelin e Dayonis até sua casa para conhecer sua opinião sobre a sucessão sacerdotal, segundo o testemunho de Dayonis reunido por Heselton. Em 1960, Lois Bourne encontrou entre os papéis de Gardner cartas nas quais Edith criticava severamente sua busca por publicidade e questionava algumas de suas novas relações no meio da bruxaria. Esse testemunho documenta que, mesmo afastada das atividades regulares, ela acompanhava com preocupação os rumos da Arte.
Referências consultadas
- HUTTON, Ronald. The Triumph of the Moon. Oxford University Press.
- ARANTES, Flávio Lopes. Raízes da Wicca Gardneriana.
- Material histórico e biográfico.
- HESELTON, Philip. Witchfather: A Life of Gerald Gardner. Vol. 1: Into the Witch Cult. Loughborough: Thoth Publications, 2011, pp. 195–228.
- HESELTON, Philip. Witchfather: A Life of Gerald Gardner. Vol. 2: From Witch Cult to Wicca. Loughborough: Thoth Publications, 2012, pp. 491–494, 533–534.
- HESELTON, Philip. In Search of the New Forest Coven. Fenix Flames Publishing, 2020, cap. 2, “A Witch called Dafo”, pp. 9–36.
Crédito das imagens: British Traditional Wicca.
