ACERVO DIGITAL · MELISSA SEIMS · 2006

As raízes escocesas da Wica: os primórdios da Arte gardneriana na Escócia

Agradecimento especial a Melissa Seims. Agradecemos à autora por autorizar generosamente a tradução e reprodução de sua pesquisa no Acervo Digital do Speculum Lunae. Melissa também é editora dos livros Literary Necromancer, publicados pela Liminal Gate Press. Conheça e adquira seus livros na página Literary Necromancer ↗ ou visite o site da Liminal Gate Press ↗.

Depois de meu primeiro artigo sobre Charles Clark, escrevi este texto para oferecer um contexto mais amplo e informações adicionais sobre a Wica na Escócia nas décadas de 1950 e 1960.

A Escócia tem uma longa associação com acontecimentos estranhos. Suas montanhas elevadas, o clima mutável, as charnecas desoladas, as ilhas remotas e as comunidades isoladas favorecem histórias assombrosas, fenômenos paranormais e a preservação da antiga sabedoria rural e das práticas populares de cura. O notório Aleister Crowley viveu ali durante algum tempo, acreditando que a região era mais adequada a seus trabalhos mágicos. E, naturalmente, a Escócia também abriga aquela outra “fera”, o esquivo (e célebre) Monstro do Lago Ness!

A Escócia também possui uma forte ligação com a bruxaria, tanto na Idade Moderna quanto, como veremos, nos tempos atuais. A bruxaria passou a ser considerada crime por lei na Escócia em 1563 e, durante a Reforma, nos séculos XVI e XVII, vários milhares de acusações de bruxaria foram levadas aos tribunais. O último caso bem documentado de morte na fogueira por bruxaria ocorreu ainda em 1722, em Sutherland. Calcula-se que aproximadamente 67% dos acusados nesses processos tenham sido executados e, ao contrário da Inglaterra, onde as bruxas eram enforcadas, na Escócia preferia-se queimá-las, geralmente depois de torturá-las e estrangulá-las.1 Infelizmente, hoje parece bastante certo que muitos desses processos se baseavam em pouco mais que fofocas maldosas e disputas entre vizinhos.

Provavelmente o caso histórico mais conhecido é o de Isobel Gowdie, cujos relatos de metamorfose e encontros com o diabo — e seu pênis anormalmente frio — inspiraram músicas, peças, pinturas e livros. Gerald Gardner, membro da Folklore Society, era fascinado por histórias desse tipo e possuía diversos livros sobre os julgamentos de bruxaria na Escócia, assim como sobre seu folclore e suas superstições.

Ilustração de John Upton inspirada nas confissões de Isobel Gowdie.
Figura 1. Interpretação de uma cena de The Confessions of Isobel Gowdie, do artista e bruxo John Upton, radicado na Escócia.

O interesse de Gardner pela Escócia ia além de um passatempo. Em sua biografia, Gerald Gardner: Witch, lemos:

“A família [Gardner] jamais se esquecera de suas origens escocesas e remontava sua ascendência ainda mais longe, até Simon le Gardinor, nascido no século XIV. Ao longo de três séculos, haviam conservado a lembrança das terras altas de seus antepassados.”2

Gerald também menciona sua ligação escocesa numa entrevista concedida no início dos anos 1960 à jornalista Jean Macauley, do jornal escocês The Daily Record, que escreveu a seu respeito:

“Esse bruxo confesso, duramente criticado, disse-me que era escocês. Faz 72 anos que deixou a casa da família em North Berwick. O segredo guardado no armário da família era seu avô, de North Berwick, que havia sido um bruxo.”

É quase certo que se trate de um floreio, pois Gardner nasceu na casa da família em Blundellsands, perto de Liverpool. North Berwick, porém, é conhecida por sua associação com a bruxaria: foi ali que, na década de 1590, um grupo de bruxas supostamente se reuniu e conjurou uma tempestade para destruir o navio que trazia o rei Jaime VI e sua noiva de volta da Dinamarca. Gardner certamente conhecia a história e, sendo o pequeno Loki que às vezes era, creio que se valeu dela para tornar sua narrativa mais pertinente e interessante.

Não é somente nessa reportagem que ouvimos dizer que o avô de Gerald era bruxo. Na biografia mencionada, encontramos mais informações sobre ele e seu envolvimento com uma bruxa “lá no norte”. A história conta que, em 1905, durante uma visita à Inglaterra, Gardner foi encontrar alguns parentes, os Surgensons. Ali, foi apresentado a um médico e à irmã dele, ambos também de sobrenome Gardner. Notou então o seguinte:

“De vez em quando, alguém os provocava perguntando se tinham feito alguma magia recentemente ou participado de algum bom sabá das bruxas. Por que fariam isso?, Gardner quis saber. Ora, porque a mãe deles havia sido bruxa, naturalmente. Ele ficou extremamente intrigado. Quem fora a mãe dos dois? E por que tinham o mesmo sobrenome que ele? Seriam parentes?”3

Em casa, Gerald perguntou a respeito do dr. Gardner e sua irmã e, depois de receber respostas evasivas, finalmente ouviu a verdade de seu irmão Bob:

“O avô Joseph, fundador da empresa madeireira com seu nome atual (falecido em 1865), casara-se com uma megera. Todos concordavam: ela era uma mulher extremamente impopular. Por fim, o avô chegou ao limite, rompeu os laços e se libertou. Continuou morando em casa, mas manteve outra mulher em algum lugar do norte. Há dúvidas quanto a ter realmente se casado com ela. De todo modo, tinha uma segunda casa, mais feliz, onde aconteciam coisas estranhas.

Essa Ann, segundo a história, o levara a maus caminhos. Ela era uma bruxa e levara o avô Joseph às colinas, onde ocorriam reuniões secretas e ritos terríveis.”4

Essas informações parecem sugerir que o avô de Gerald mantinha uma segunda casa “no norte”, com uma “bruxa” chamada Ann, com quem teve dois filhos. O historiador da Arte Philip Heselton me informou que, após consultar o Medical Register e cotejar os resultados com registros universitários e censitários, encontrou um dr. James Gardner que morava a uma distância razoável da residência dos Surgensons. Ele se formara na Universidade de Glasgow em 1882, e seu endereço era Pacemuir, Kilmacolm. Isso é interessante porque a charneca de Kilmacolm tem a antiga reputação de ser frequentada por bruxas locais. Entretanto, a mãe de James Gardner se chamava Marian, e não Ann, e a imagem de James oferecida pelos registros históricos não corresponde inteiramente àquela construída por Gardner em sua biografia.

Philip Heselton investigou a árvore genealógica de Gardner e conseguiu traçá-la com segurança até 1645. Não encontrou antepassados escoceses, mas descobriu que o avô de Gardner nascera, na verdade, em 2 de outubro de 1791, em St. Michael’s on Wyre, Lancashire, e que não parece haver nenhuma ligação documentada com North Berwick.5

Gerald também gostaria que acreditássemos que, além de seu avô ter ligações com a bruxaria, ele possuía uma parente distante escocesa, Grizell Gairdener, que fora queimada como bruxa. Segundo sua biografia, ao encontrar os integrantes do coven de New Forest, no qual seria posteriormente iniciado, ele lhes disse:

“…uma antepassada minha fora queimada viva como bruxa em Newborough, na Escócia, por volta de 1640, embora eu não tenha mencionado meu avô.”6

De fato, uma “bruxa” chamada Grissel Gairdner foi queimada em Newburgh, mas, mais uma vez, a pesquisa de Philip Heselton indica que não há evidências de parentesco com Gerald Gardner.7

Ainda assim, Gardner evidentemente se orgulhava de suas “origens escocesas” e, em seu testamento, legou expressamente seu kilt, seu plaid e seu broche, além do sgian dubh (pequena faca tradicional usada na meia) e do dirk (punhal) escoceses de seu avô, à cunhada Miriam Gardner, viúva de seu irmão Francis Douglas Gardner, pedindo que esses objetos permanecessem sempre na família.

Gerald Gardner usando traje tradicional escocês.
Figura 2. Gerald Gardner em traje escocês. Fotografia reproduzida com autorização de Philip Heselton.

Diante da falta de evidências, podemos perguntar: por que, então, seu avô possuía essas armas tradicionais escocesas, e por que Gerald fazia questão de ter seu próprio kilt e plaid? Suspeito que, assim como seu “nascimento escocês”, isso talvez fosse apenas uma ideia romântica que Gerald gostava de cultivar.

De modo semelhante, Samuel Liddell Mathers, um dos fundadores da Golden Dawn, adotou o nome MacGregor-Mathers, alegando descender do clã MacGregor e, portanto, possuir sangue das Terras Altas. Também há poucas evidências em favor dessa alegação. Parece que a reivindicação de ascendência escocesa, com sua aura de mistério e sua associação a “sociedades secretas”, como os templários e os maçons, era bastante popular no início do século passado.

Apesar de seu amor pelas coisas escocesas, Gardner jamais morou na Escócia. Em 1952, porém, mudou-se para a Ilha de Man, a uma curta viagem de barco ou avião do litoral sudoeste escocês. Ele e sua esposa Donna compraram uma casa de pedra na Malew Street, em Castletown, e Gardner tornou-se o “bruxo residente” do Museu de Bruxaria da Ilha de Man, de Cecil Williamson, geralmente chamado The Witches Mill. Depois de alguns anos de dificuldades financeiras, Gardner assumiu o museu em 1954 e, com a ajuda de Donna, começou a transformá-lo numa atração turística próspera e interessante.

Também vivia na ilha o sr. Henrie Leopold Dor, proprietário de uma gráfica em Douglas. Ela publicava o principal jornal da ilha e, em 1965, o primeiro livro de Patricia Crowther, The Witches Speak. Outra publicação produzida pela gráfica entre as décadas de 1950 e 1970 chamava-se FATE e se apresentava como “Jornal da Realidade Fantástica. Os assuntos de Fate incluem parapsicologia, civilizações desaparecidas, bruxaria, ufologia, previsão, cura, espiritismo, radiestesia e reencarnação. Em todas as bancas, por dois xelins”. A revista era uma versão britânica da publicação norte-americana homônima, lançada em 1948, que cobria temas semelhantes.

Na década de 1950, possivelmente sob a influência da revista FATE norte-americana, um pequeno grupo de pessoas com interesses semelhantes decidiu se reunir para discutir ideias “alternativas”, como discos voadores, formas não convencionais de cura, fenômenos psíquicos e bruxaria. Chamavam o grupo de FATE Club, e seus integrantes se encontravam semanalmente. Foi numa dessas reuniões que um escocês, Charles Clark, conheceu Gerald Gardner.

Os dois desenvolveram uma amizade e Charles me contou que, posteriormente, foi iniciado na Arte da Wica por Gerald e sua esposa Donna, na casa deles na Malew Street. Na época, Gerald estava especialmente interessado em difundir “o Culto”, como frequentemente o chamava, e Charles, homem habitualmente entusiasmado, assumiu a missão de ajudá-lo a expandir a Arte na Escócia.

Fotografia histórica de Donna Gardner.
Figura 3. Donna Gardner. Fotografia da coleção de Melissa Seims.

Charles Clark vivia em Saltcoats, na costa oeste da Escócia, com a esposa Annie e os dois filhos. Infelizmente, Annie não compartilhava dos interesses do marido, de modo que Charles precisava manter suas atividades na Arte em sigilo. Nas noites de reunião, dizia à esposa que realizaria um encontro maçônico em casa; ela saía com as crianças, deixando-o livre para traçar o círculo e realizar magia.

Em 1960, Charles já havia conseguido reunir vários estudantes das universidades de Glasgow, além de uma enfermeira, um açougueiro, um artista e algumas outras pessoas. Edith Hyslop, bibliotecária e estudante do Scottish College of Commerce, na Pitt Street, em Glasgow, tornou-se sua Alta Sacerdotisa.8

Às vezes, Gerald Gardner vinha da Ilha de Man para participar das reuniões da Wica escocesa, trazendo instrumentos mágicos de presente para os integrantes. Naquele tempo, não era possível simplesmente encomendar uma varinha ou um athame pela internet, como se faz hoje, mas Gerald e outros possuíam os instrumentos e as habilidades necessárias para fabricar equipamentos mágicos.

Como escritor de bruxaria conhecido publicamente, Gardner recebia perguntas de pessoas de todo o mundo. Como gostava de viajar, especialmente durante o frio inverno britânico, quando seguia para regiões mais ensolaradas, contou com a ajuda de diversas pessoas para responder às cartas. Charles era uma delas e, em determinado momento, chegou a cuidar de dezenas de cartas por semana. Foi assim que, em 1960, soube da existência do sr. e da sra. Campbell Wilson, então residentes em Perth. Entre os encontros envolvendo membros da Wica na Escócia naquele período, esse acabou por se tornar um dos mais influentes na história da Arte, pois conduziu à sua exportação para os Estados Unidos.

Monique Wilson nasceu em Haiphong, no Vietnã, filha de franceses. Conheceu seu marido, Campbell “Scotty” Wilson, quando ele servia como tenente de voo da RAF em Hong Kong, após a guerra.9 Posteriormente, mudaram-se para Perth, onde Campbell começou a trabalhar na companhia de gás local.

Charles considerava especialmente eficaz iniciar um casal, pois as duas metades de uma parceria mágica já estavam reunidas e a polaridade estabelecida. Ele elevou Monique rapidamente, tornando-a Alta Sacerdotisa em 1961. Como de costume, ela adotou um nome na Arte, “Olwen”, e seu marido tornou-se “Loic”. Charles incentivou os Wilson a fundar seu próprio coven em Perth e forneceu os instrumentos de que necessitariam.

Monique Wilson no museu de bruxaria Witches Mill.
Figura 4. Monique Wilson no Witches Mill, em meados dos anos 1960. Fotografia de Robert Turner, com agradecimentos a Anne Turner.

Em 1961, Charles escreveu animadamente a Gerald para contar sobre os covens “gardnerianos” que ele próprio ajudara a estabelecer na Escócia. Ficavam em Glasgow, Perth e Saltcoats, e outros dois estavam planejados para Fife e Edimburgo. Não está claro se estes chegaram a funcionar, pois, pouco depois, Charles entrou em conflito com Monique e Campbell Wilson a respeito de uma mulher que eles desejavam iniciar. Por diversos motivos, Charles considerava a candidata inadequada à Arte dos Sábios e temia que atraísse atenção indesejada da imprensa, colocando em risco a integridade da Arte. Dadas as sucessivas “revelações” sobre a Wica publicadas pelos tabloides no fim da década de 1950, era compreensível sua preocupação em evitar essa situação.

O incidente levou Charles a retirar seu apoio, não apenas ao coven de Perth, mas, de maneira mais ampla, ao movimento da Arte na Escócia. Durante o resto da vida, manteve-se discreto, acolhendo ocasionalmente um ou outro estudante de magia sob sua orientação.

Após o afastamento de Charles, anotações de Doreen Valiente da época parecem indicar que Gerald Gardner, com a ajuda de Lois Bourne — então Alta Sacerdotisa de Bricket Wood —, continuou a difundir a Arte na Escócia criando um “coven por correspondência” em Glasgow. Lois e Gerald viajavam até Glasgow para iniciar integrantes e enviavam pelo correio os rituais da Arte.

Monique, por sua vez, ainda sentia que tinha muito a aprender e procurou Gardner, que conhecera pela primeira vez numa “reunião de bruxos” — quase certamente uma das reuniões de Charles —, para perguntar se ele passaria a orientá-la.10 Gardner posteriormente reiniciou Monique Wilson e, à medida que os Wilson se aproximaram dele, passaram a ajudar frequentemente no museu e em sua correspondência.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Raymond Buckland havia lido os livros de Gerald Gardner e decidiu escrever-lhe a respeito da Wica. A correspondência levou à organização de sua iniciação por Monique Wilson, após um curso intensivo de dez dias.

Em 18 de novembro de 1963, Raymond viajou de avião para o Reino Unido para iniciar o programa. Gardner havia encaminhado a ele as consultas recebidas dos Estados Unidos e, ao retornar ao país, Raymond iniciou sua primeira esposa, Rosemary. Juntos, estabeleceram um dos primeiros covens “gardnerianos” da América, localizado em Queens, Long Island.

Em 1966, seguindo os passos de Gerald Gardner, Buckland criou em seu porão o “Primeiro Museu de Bruxaria e Magia” dos Estados Unidos, posteriormente transferido para instalações próprias. A coleção estava, à época deste artigo, guardada em Nova Orleans e, felizmente, não fora danificada pelo furacão Katrina. Esperava-se que um dia voltasse a ser exibida.11

Menos de dois meses depois da visita de Raymond à Escócia, em 12 de fevereiro de 1964, Gardner morreu a bordo do The Scottish Prince, quando regressava de férias no Líbano. Em seu testamento, legou a Monique Wilson o conteúdo do Museu de Bruxaria, bem como sua residência na Malew Street e tudo o que ela continha. Outro beneficiário foi William Worrall, que o ajudara a cuidar do museu: a ele foram legados o edifício do museu e suas construções anexas. Outras Altas Sacerdotisas e pessoas próximas a Gardner receberam valores em dinheiro e propriedades.

Depois da morte de Gardner, os Wilson deixaram sua casa na Nimmo Avenue, em Perth, e se mudaram para a Witches Cottage, na Ilha de Man, onde procuraram dar continuidade ao trabalho de Gerald. Nessa altura, suas relações com muitos outros integrantes da Arte estavam bastante tensas. Patricia Crowther e Ray Bone se opuseram firmemente à proclamação de Monique como “Rainha das Bruxas”, título que ela afirmava ter herdado no testamento de Gardner.12

Recorte de jornal do Daily Mirror, publicado em 6 de março de 1964, sobre Monique Wilson.
Figura 5. Daily Mirror, 6 de março de 1964: reportagem sobre Monique Wilson.
Monique Wilson atrás de objetos expostos no Witches Mill.
Figura 6. Monique Wilson no Witches Mill, em meados dos anos 1960. Fotografia de Robert Turner, reproduzida com autorização de Anne Turner.

As pesquisas mostram que o testamento não dizia nada disso. A controvérsia agitou os jornais, que anunciaram em manchetes que “bolhas, feitiços e confusão dividiam os círculos mágicos da Grã-Bretanha”. Como tantas vezes acontece, porém, a atenção da imprensa logo diminuiu.

Alguns anos depois, em 1969, o News of the World publicou uma reportagem sobre a filha de onze anos dos Wilson e sua participação em ritos de bruxaria. O episódio acrescentou mais um elo à cadeia de acontecimentos que levou o casal a se mudar para a Espanha em 1973. Para financiar a emigração, venderam muitos objetos do Museu de Bruxaria, que atravessava dificuldades, à empresa Ripley’s, nos Estados Unidos. Uma grande parcela da coleção foi adquirida por Richard e Tamarra James, fundadores da Wiccan Church of Canada, e permanecia sob seus cuidados.

Durante a década de 1960 e até a época em que escrevo, o movimento da Arte nos Estados Unidos se expandiu com rapidez e sucesso. Sua chegada coincidiu com o movimento do “amor livre” e o interesse crescente pelas espiritualidades alternativas, fatores que favoreceram sua popularidade e sobrevivência. Hoje existem muitos tipos e tradições de bruxaria, e quase todos receberam alguma influência do trabalho de Gerald Gardner e dos pioneiros da Arte nas décadas de 1950 e 1960. Sem a Wica escocesa, talvez a Arte jamais tivesse chegado aos Estados Unidos, e sua história poderia ter sido muito diferente.

A bruxaria não teve sucesso apenas na América. Na Grã-Bretanha, os números também apontavam uma tendência de crescimento e, no ano anterior à publicação deste artigo, o The Scotsman afirmava:13

“A Wicca [nome pelo qual a bruxaria é mais propriamente conhecida] é, segundo relatos, a religião que mais rapidamente cresce na Escócia…”

Por isso, parece-me apropriado concluir com uma passagem de uma das cartas de Charles a Gerald Gardner, na qual ele fala de seus esforços para estabelecer firmemente a Arte da Wica na Escócia:

“Se os alicerces forem assentados com amor e com trabalho perfeito, então, com o tempo, surgirá a construção perfeita. Só pela forma como estou trabalhando agora é que prosperaremos aqui na Escócia, como tem sido desde que entrei para a Arte. Para mim, isto não é um interesse como para a maioria das pessoas, mas o trabalho da minha vida. Sei que, para quem observa de fora, talvez pareça que não consegui muita coisa, mas deem-me tempo…”

Meus agradecimentos a Philip Heselton, John Avalon Campion-Grant e Fyrnae pela ajuda.

Notas da autora

1. Percentual de 67% retirado de http://www.arts.ed.ac.uk/witches/introduction.html.

2. J. L. Bracelin, Gerald Gardner: Witch [na realidade escrito, ao menos em parte, por Idries Shah], IHO, 1999, p. 12.

3. J. L. Bracelin, Gerald Gardner: Witch, IHO, 1999, p. 114.

4. J. L. Bracelin, Gerald Gardner: Witch, IHO, 1999, p. 115. Além disso, Joseph Knight Gardner, filho de Anne, foi um integrante importante do Templo Horus n.º 5 da Golden Dawn, estabelecido em Bradford em 1888. Suspeito fortemente que ele tenha inspirado, em parte, a criação do culto das bruxas por Gerald.

5. Correspondência pessoal de Philip Heselton, autor de Wiccan Roots e Gerald Gardner and the Cauldron of Inspiration (Capall Bann).

6. J. L. Bracelin, Gerald Gardner: Witch, IHO, 1999, pp. 150 e 153.

7. Margaret Alice Murray registra a morte de Grissel Gairdner em 1610 em The Witch-Cult in Western Europe (1921). Ver http://www.sacred-texts.com/pag/wcwe/wcwe07.htm.

8. No artigo original, omiti o sobrenome de Edith.

9. Daily Mail, quinta-feira, 1º de outubro de 1964.

10. Evening Standard, 19 de setembro de 1964. Monique é citada dizendo: “O dr. Gardner a conhecera cerca de dois anos antes, quando participava de uma reunião de bruxos”.

11. Desde que escrevi este artigo, foi fundado o Buckland Museum of Witchcraft: https://bucklandmuseum.org.

12. Daily Mirror, 6 de março de 1964.

13. The Scotsman, 31 de outubro de 2005. Ver http://news.scotsman.com/features.cfm?id=2171092005 (é necessário cadastro gratuito).

Consultar a versão no site The Wica. Melissa Seims também disponibiliza este artigo em inglês em seu site. Ler o artigo no The Wica ↗

Texto original em inglês →